Escudo OFEC, monograma
Rebranding Heritage · Estudo autoral · 2026

De 1912 para sempre.
O Fantasma segue.

Um exercício de escuta à história do Operário Ferroviário Esporte Clube, feito com admiração pelo que o clube já construiu.

Fundação01 · 05 · 1912
Sigla contínua desde1941
Estrelas★ ★ ★ ★
01Abertura

De onde parte este estudo

O Operário tem uma história densa, cuidada por muita gente ao longo de mais de cem anos. Este projeto não pretende corrigir esse trabalho, e sim propor uma leitura possível, uma entre várias, que tenta ouvir o que atravessa toda a trajetória do clube e sugerir uma síntese a partir daí.

A proposta é modesta em ambição visual e generosa em escuta: partir da sigla, presente em praticamente todos os escudos desde 1941, e deixá-la respirar. Tudo o que o clube acumulou continua vivo, nas camisas, na torcida, na memória. Aqui, o exercício é destacar apenas o elemento que sempre esteve lá.

Uma proposta de escuta
ao que já estava lá.

02Genealogia

Um século de leituras. Quatro letras que sempre voltam.

Entre 1914 e 2025, o escudo do Operário foi revisitado por muitas mãos. Cada versão tem sua história e seu contexto. Olhando para o conjunto, o que impressiona é a permanência da sigla, atravessando gerações.

1914O.F.C.Primeiro emblema registrado.
1926O.S.C.Reformulação. A sigla acompanha.
1941O.F.E.C.Consolidação da sigla atual.
1982O.F.E.C.Escudo clássico moderno.
2025O.F.E.C.Muitas reformulações. Uma constante.
03Manifesto

OFEC, Memória em Movimento

Antes de ser um escudo, o Operário foi um nome de trabalho.

Em 1912, na Vila Oficinas de Ponta Grossa, um grupo de ferroviários fundou um clube que levaria, para sempre, o nome do seu ofício. Não nasceu de um mecenas, nem de uma elite. Nasceu do trilho, da oficina, do apito da locomotiva que marcava o fim do turno e o começo do jogo.

O nome Operário Ferroviário carrega classe, território e pertencimento. E as cores que o clube veste desde a fundação, preto e branco, acompanham uma história de abertura: o Operário está entre os times que, cedo, reuniram em suas fileiras trabalhadores de diferentes origens, num tempo em que isso ainda era raro no futebol brasileiro.

Ao longo de mais de cem anos, o escudo foi revisitado, o nome ganhou variações, o símbolo tomou formas diferentes. Uma coisa se manteve com constância: a sigla que carrega, nas suas quatro letras, o que o clube é. É dela que esta proposta parte.

O círculo que envolve as letras é uma homenagem à caixa de fumaça da locomotiva, o mesmo vapor que ajudou a torcida a receber, com orgulho, o apelido que carrega há gerações: o Trem-Fantasma que segue sua estrada.

Este estudo não busca substituir a marca do clube. Ele oferece uma leitura possível, feita com respeito pela história que a antecede.

Memória em movimento.
Sempre em frente.
Sempre alvinegro.

03.5Retratos

Antes de qualquer escudo,
rostos.

O Operário existe porque gerações inteiras vestiram a camisa. Reunir estas fotografias é um jeito de lembrar que qualquer rebranding parte daqui, do time real, da torcida real, das listras vividas em campo.

Arquivo fotográfico · década de 60 e 70

Elenco do Operário Ferroviário em 1969
Arq. 01 · 1969Arquivo fotográfico

Elenco do Operário Ferroviário na temporada de 1969, do acervo de Lenilton Cardoso. Em pé: Roberto, Nilo Gomes, Mourão, Jamil, Nilson e Ferrinho. Agachados: Nilson Peres, Padreco, Sabino, Reinaldo e Gauchinho. Foto: arquivosfutebolbrasil.com.br.

Elenco do Operário Ferroviário em 1977
Arq. 02 · 1977Arquivo fotográfico

Meados dos anos 70. Uma geração que sustentou o clube fora dos holofotes, entre campeonatos estaduais e a lealdade da torcida ferroviária. Foto: arquivosfutebolbrasil.com.br.

Elenco do Operário Ferroviário em 1979
Arq. 03 · 1979Arquivo fotográfico

Em pé: Milton, Bento, Rogério, Osni, Gracindo e Paulinho. Agachados: Sergio Davi, Sergio Luiz, Anderson, Csmar e Marcelus. Nomes anotados à mão na própria fotografia. Foto: arquivosfutebolbrasil.com.br.

04A locomotiva 250

Vila Oficinas · Ponta Grossa · Circa 1930

Antes do símbolo,
o vapor.

A Baldwin 250 foi uma das locomotivas emblemáticas da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, presente no complexo ferroviário que corta Ponta Grossa desde o fim do século XIX. Foi na Vila Oficinas, entre caldeiras e oficinas, que os ferroviários se organizaram para o trabalho e para o jogo.

A 250 ocupa um lugar afetivo importante no imaginário ferroviário da cidade. O apito, o vapor e a caixa de fumaça circular na frente da caldeira ajudam a compor a paisagem que dá origem, entre tantas outras referências, ao apelido Trem-Fantasma.

O círculo do monograma nasce, entre outras inspirações, da caixa de fumaça da 250.

Locomotiva 250 da RVPSC com equipe de ferroviários, Vila Oficinas, Ponta Grossa
Arq. 01 · Locomotiva nº 250Vila Oficinas · Circa 1930

Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, equipe de ferroviários. Foto: Acervo Casa da Memória de Ponta Grossa.

BitolaMétrica · 1,00 m
Tipo2-8-0 · Consolidation
ServiçoCarga & manobra
05Anatomia do símbolo
Escudo OFEC, versão sobre claroFig. 011:1

Monograma OFEC · versão positiva sobre paper #f7f4ef

Seis relações que ajudam a sustentar a forma.

  1. 01

    Círculo externo

    Uma referência à roda, à caldeira e ao selo, formas circulares que reaparecem em muitos momentos da genealogia do clube.

  2. 02

    O e C, massas laterais

    Origem e continuidade. O envolve; C abre. Uma leitura possível para o gesto de abertura que o clube cultiva desde cedo.

  3. 03

    F e E, eixo central

    Trilho, estrutura, engenharia. Ferroviário Esporte no coração institucional do nome.

  4. 04

    Faixas verticais

    As listras da camisa aparecem aqui como parte do próprio ritmo do símbolo, num diálogo direto com o uniforme.

  5. 05

    O Fantasma no vazio

    Uma presença sugerida pelo espaço entre as letras, leitura afetiva, oferecida à torcida como convite.

  6. 06

    1912

    Inscrição patrimonial na abertura do C: a origem que sustenta o movimento, sempre discreta.

06Repertório visual · manual anterior e proposta

O que veio antes, e o que proponho

Antes de propor, escutar tudo o que já foi desenhado.

O clube tem um repertório visual amplo, registrado ao longo das décadas e catalogado no manual de identidade anterior a esta proposta. Fantasma figurativo, placa ferroviária, brasões heráldicos, mascotes, revivals: cada uma dessas marcas foi, em algum momento, a face oficial do Operário.

Esta seção reúne, em três capítulos, esse repertório anterior e o gesto que proponho a partir dele. A autoria das marcas históricas pertence ao clube e aos designers que assinaram cada época; o que trago aqui é apenas a leitura respeitosa e a proposta do monograma OFEC como síntese Heritage.

Cap. IConstrução documentada no manual anterior
Prancha 01
Prancha de construção geométrica do escudo, reproduzida do manual de identidade anterior
Prancha 01 · Construção geométrica · reprodução do manual anterior

A construção
já estava lá.

A prancha ao lado é uma reprodução do manual de identidade anterior ao rebranding proposto aqui. Ela documenta o sistema de construção do escudo do clube em três apoios de leitura: círculo, eixo vertical e massa das letras. Nada disso é invenção minha; é o que estava registrado.

Reproduzo aqui por respeito à cadeia de decisões que antecede este trabalho. As quatro faixas verticais que atravessam o círculo já dialogavam com as listras da camisa; o monograma proposto se apoia nesse mesmo ritmo de leitura de O–F–E–C.

Cap. IIArquivo · marcas anteriores do clube
Prancha 02

Marcas que o clube já teve. Autoria do clube e de seus designers.

A galeria abaixo reúne marcas que o Operário adotou ao longo de sua história: Fantasma figurativo, revivals da placa ferroviária dos anos 50 a 80, brasões heráldicos com o ferroviário em primeiro plano, variações da bola pentagonal e mascotes do operário. Todas estão registradas no manual de identidade anterior a esta proposta.

Não são estudos meus. A autoria pertence ao clube e aos profissionais que assinaram cada uma dessas fases. Reproduzo aqui como arquivo, por respeito à cadeia visual que antecede este rebranding e para deixar claro de onde ele parte.

Prancha do manual anterior reunindo as marcas que o Operário adotou ao longo de sua história
Prancha 02 · Arquivo de marcas anteriores · reprodução do manual anterior
Cap. IIIProposta · seis aplicações cromáticas do monograma
06 aplicações

Três cores. Seis combinações. Uma família.

A proposta aqui é tratar o monograma como sistema. A prancha abaixo mostra a matriz cromática Heritage: Carbon Black, Parchment e Camel aplicados como figura e como fundo em todas as combinações possíveis.

A paleta segue a tradição alvinegra do clube, com o dourado aparecendo em ocasiões cerimoniais e comemorativas, como o Operário historicamente já o utiliza.

Prancha com seis aplicações cromáticas do monograma OFEC sobre fundos Parchment, Carbon Black e Camel
Prancha 03 · Matriz cromáticaSeis combinações entre Carbon Black, Parchment e Camel.
07Paleta · sistema cromático

Três cores
com nome próprio.

O manual vigente já traz as cores institucionais do clube: preto, branco e dourado. Como estudo, quis dar a cada uma um nome que evoque o universo ferroviário que o clube representa, mantendo o dourado como acento cerimonial, no mesmo lugar em que o Operário já o coloca.

01#1B1B1A

Carbon Black

Cor primária · trilho, ferro, noite de jogo

R 27 · G 27 · B 26

C 0 · M 0 · Y 4 · K 89

02#F7F4EF

Parchment

Cor primária · papel, vapor, memória

R 247 · G 244 · B 239

C 0 · M 1 · Y 3 · K 3

03#AE864A

Camel

Acento cerimonial · latão, medalha, ocasião

R 174 · G 134 · B 74

C 0 · M 23 · Y 57 · K 32

07.5Tipografia institucional

Família única · Onest · open source

Uma voz,
vários pesos.

O sistema tipográfico do clube passa a se apoiar em uma única família: Onest. Uma sans-serif contemporânea, desenhada como híbrido entre grotesca geométrica e humanista, geometria suficiente para dialogar com o escudo circular, calor suficiente para não soar fria ou genérica.

Onest é distribuída sob a SIL Open Font License, gratuita para uso institucional, comercial e de torcida. Isso importa: uma marca centenária não pode depender de licenças fechadas para respirar. Qualquer clube, sócio, designer ou torcedor pode usar a mesma voz visual, sem barreira.

Uma família tipográfica única evita identidade fragmentada. O clube ganha uma voz reconhecível, do estádio ao aplicativo, do pôster ao contrato.

Black · 900

OFEC

ExtraBold · 800

1912

Bold · 700

Dia de jogo

Medium · 500

Vila Oficinas

Regular · 400

Fundado em outubro de 1912, em Ponta Grossa, junto às oficinas da ferrovia.

SemiBold · 600 · caps

MENU · CAMPEONATOS · SÓCIOS · LOJA

FamíliaOnest · Google Fonts
LicençaSIL OFL 1.1
Pesos300 → 900
PapelInstitucional · única

800–900

Títulos e placares

letter-spacing: -0.035em · line-height: 0.92

600–700

Navegação e botões

uppercase · letter-spacing: 0.04em

400–500

Texto institucional

letter-spacing: -0.01em · line-height: 1.55

500–700

Dados e tabelas

tabular-nums · alinhamento à direita

Por que Onest, em três linhas

  • Coerência com o escudo. A geometria da Onest conversa com o círculo do monograma e com o rigor construtivo do sistema.
  • Humanidade suficiente. Detalhes humanistas evitam a frieza das grotescas puramente geométricas e preservam o calor da tradição alvinegra.
  • Open source, sem barreira. Licença OFL: o time, o sócio, o designer parceiro e o torcedor usam a mesma voz sem custo de licença.

Alternativas estudadas: Manrope (mais próxima de identidade digital), Hanken Grotesk (mais corporativa), Inter Tight (excelente para display, cansativa em texto longo). Onest equilibra bem os três papéis institucional, esportivo e digital em uma família só.

08Três eixos de leitura
Eixo I

Circularidade

A forma circular aparece com frequência ao longo da história visual do clube. No manual vigente, é associada à caixa de fumaça da locomotiva, imagem próxima à torcida e ao apelido Trem-Fantasma. Este estudo retoma o círculo como estrutura de leitura, em diálogo com essa tradição.

Eixo II

Sigla como patrimônio

Ler O–F–E–C dentro do círculo é uma forma de destacar a camada que atravessa quase todas as versões do escudo desde 1941. Os demais elementos que o clube acumulou seguem presentes em outras aplicações; aqui, o gesto é dar centralidade à sigla.

Eixo III

1912 como inscrição

O ano de fundação aparece discretamente na abertura do C, no espírito dos letreiros oficiais do clube (nome + ano). Marca a origem sem competir com a leitura das letras, uma pequena homenagem cunhada como se estivesse gravada em metal.

09Sistema em aplicação, Uniformes 2026

As listras seguem
vivas na camisa.

No manual vigente, as listras verticais convivem com o escudo e carregam camadas importantes, o limpa-trilhos da locomotiva e a herança de abertura do clube. Neste estudo, elas permanecem justamente onde nasceram: na camisa. O símbolo se concentra na sigla; o uniforme segue guardando as listras.

Composição master, uniformes home e away OFEC 2026 lado a lado, com o escudo e a assinatura institucional
Fig. 02 · Home / Away 2026Composição master

As listras preservam a herança alvinegra.

Nota · A camisa base

Por que a base
é a nº 9.

Duílio Dias · “Canhão” · 1950–1954

A camisa que abre este estudo carrega o número 9 por um gesto de memória. Duílio Dias, o Canhão, chegou ao profissional do Operário aos quinze anos e, em quatro temporadas na Vila Oficinas, deixou uma marca de gols que a torcida guarda até hoje. É uma referência entre várias possíveis, escolhida aqui como forma de agradecer a quem ajudou a construir a mística do clube antes que ele voltasse ao cenário nacional.

A escolha não pretende hierarquizar ídolos. O Operário moderno tem nomes que pertencem inteiramente à torcida: Simão, sob as traves nos títulos de 2015, 2017 e 2018; Índio, com mais de duzentos jogos e uma raça que virou identidade; Schumacher, autor de gols decisivos nas campanhas nacionais. Cada um deles poderia vestir esta camisa. O número 9 aparece como ponto de partida, uma homenagem entre muitas que o sistema pode acolher ao longo do tempo.

“Uma camisa é sempre um recado curto para uma história longa. A nº 9 é o recado que este estudo escolheu deixar primeiro.”

Uniforme oficial OFEC com a camisa nº 9, estudo de retrato em atmosfera noturna e fumaça
Fig. 03 · Uniforme oficialRetrato de estúdio

A nº 9 como homenagem a Duílio Dias.

Nota · A ferrovia que veste

O fantasma e o
trilho na camisa.

O uniforme proposto não é uma fantasia temática. Ainda assim, é possível reconhecer nele o mesmo apelido que acompanha o clube há décadas: o Trem-Fantasma. As listras verticais, tão presentes na história alvinegra, leem-se aqui como trilhos, um ritmo contínuo que sobe e desce pelo torso, sugerindo o movimento de uma composição que avança e não perdoa quem atravessa seus trilhos.

O branco entre as faixas pretas funciona como o vapor: não é figurado, é sentido. A camisa não precisa desenhar uma locomotiva para lembrar a ferrovia; basta que o ritmo das listras e o contraste entre o preto e o branco evoquem a passagem rápida do trem, a nuvem densa que ele deixa para trás, a presença quase invisível que, mesmo assim, todo mundo ouve chegar.

Nesta leitura, o Fantasma não é um mascote: é uma atmosfera. O clube entra em campo como a força que moveu a Vila Oficinas, com passo firme e direto. A versão away traz um acento dourado que remete ao bronze de um sino de locomotiva, de uma corneta, de uma placa que avisa: aqui passa o trem.

“A camisa é a ferrovia que o corpo veste. O Fantasma é a lembrança de que, antes de qualquer símbolo, o Operário já era trilho e vapor.”

Concept art. O camisa 9 do OFEC em atmosfera de túnel, com a locomotiva 1912 e trilhos ao fundo.
Fig. 04 · Concept artEstudo de atmosfera

O Fantasma e a 1912: leitura de vapor e trilho.

Detalhes · Aplicação têxtil

Onde o símbolo
encontra o tecido.

Três aplicações que o sistema já prevê: o bordado no peito, o hot-stamp metálico e a etiqueta interna. Cada uma respeita uma técnica e um material diferentes, mantendo o mesmo repertório visual.

Detalhe do escudo bordado no tecido da camisa
Fig. 05 · BordadoPeito · linha alvinegra
Detalhe do escudo em hot-stamp metálico camel
Fig. 06 · Hot-stampMetal camel #AE864A
Etiqueta interna do uniforme com o monograma OFEC
Fig. 07 · EtiquetaInterior · assinatura
Aplicação · Bola oficial

Também rola,
também assina.

A bola oficial recebe o mesmo tratamento tipográfico do escudo, em contraste sutil sobre o couro. Uma peça cerimonial, pensada para partidas de abertura, homenagens e edições comemorativas.

Bola oficial OFEC com o monograma aplicado
Fig. 08 · Bola oficialEdição cerimonial

O monograma aplicado à peça de jogo.

10Versões

Duas versões,
lado a lado.

A versão sobre claro e a versão sobre escuro convivem no mesmo nível de importância. O símbolo foi pensado para respirar com equilíbrio nos dois estados, respeitando a tradição alvinegra do clube.

Escudo OFEC sobre preto

Positivo · sobre #1b1b1a

Escudo OFEC sobre claro

Negativo · sobre #f2ede4

10.5Vila Oficinas

Estádio Germano Krüger · Ponta Grossa · desde 1941

A casa que
nasceu perto
dos trilhos.

Inaugurado em outubro de 1941, o estádio foi erguido em um terreno próximo às antigas oficinas da rede ferroviária, no bairro de Oficinas. Daí o nome pelo qual a torcida sempre o chamou: Vila Oficinas.

O nome oficial homenageia Germano Ewaldo Krüger, engenheiro que chefiou as oficinas da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina nos anos 1930 e presidente do clube em três mandatos. Ele mandou canalizar o olho d'água do terreno para acomodar arquibancadas, sede social e as primeiras benfeitorias dos associados.

Vila Oficinas é o endereço afetivo. Germano Krüger é o endereço oficial. As duas memórias convivem.

Túnel de acesso ao campo do Estádio Germano Krüger com o monograma OFEC iluminado e quatro estrelas no topo
Est. 01 · Acesso ao campoTúnel · Vila Oficinas

Estudo visual do túnel de entrada do Germano Krüger: o monograma OFEC em destaque, coroado pelas estrelas que marcam a história do clube.

InauguraçãoOutubro · 1941
EndereçoR. Padre Nóbrega, 265 · Oficinas
Capacidade atual≈ 10.800 lugares
Plano diretor5 fases · meta ≈ 20.000

O clube oficializou um plano diretor de modernização dividido em cinco fases, pensado para que o Operário siga jogando em casa durante toda a obra. A previsão é ampliar a capacidade para cerca de 20 mil torcedores, preservando a memória e a localização histórica do estádio.

Estádio Germano Krüger, Vila Oficinas, Ponta Grossa, vista aérea noturna com o monograma OFEC aplicado ao gramado, arquibancadas e fachada
Est. 02 · Aplicação do rebrandingVista aérea · Vila Oficinas

Estudo visual do estádio Germano Krüger com o novo sistema aplicado em campo, arquibancadas e fachada.

Nota · as imagens acima são estudos visuais do rebranding aplicado ao estádio, não registros oficiais do clube.

Aplicação · Arquitetura

O símbolo em concreto.

Estudo de aplicação no próprio estádio: o monograma em relevo na parede externa. Uma aplicação discreta, quase brutalista, pensada para durar mais do que uma temporada.

Monograma OFEC em relevo sobre parede de concreto, coroado por quatro estrelas, estudo de aplicação arquitetônica no estádio
Fig. 09 · Parede externaRelevo em concreto · Vila Oficinas

Estudo de aplicação no próprio estádio: o monograma em relevo sobre o concreto, coroado pelas estrelas. Uma aplicação discreta, quase brutalista, pensada para durar mais do que uma temporada.

11Hino oficial

O manual também
se escuta.

O escudo é uma síntese visual do clube; o hino, uma síntese sonora. Colocá-los lado a lado é uma forma de lembrar que a torcida canta essa história há muitas décadas, e que qualquer proposta de identidade deve caminhar ao lado dessa voz.

Faixa oficial · Operário Ferroviário E.C.

“Salve, Operário…”01 · mp3

Escute com o escudo à vista. A ideia deste estudo (a sigla, o círculo e o 1912) foi pensada para dialogar em silêncio com a melodia que a torcida já conhece de cor.

13Nota do autor

Uma palavra pessoal

De onde eu falo,
e por que este estudo importa pra mim.

Sou neto e filho de ponta-grossenses. Ponta Grossa é um lugar que herdei antes de escolher, pelas histórias de família, pelos nomes que meus avós repetiam, pelos bairros que minha mãe atravessou antes de mim.

Volto sempre que posso. Cada visita é um exercício de reencontro: as ruas, as casas que ainda estão de pé, as que só existem em memória, os trilhos que ainda atravessam a cidade e o cheiro de oficina que sobrevive em alguns quarteirões. É de lá que meus avós vieram, e é lá que boa parte de quem eu sou continua morando.

Meu avô teve uma relação viva com a cidade, com o esporte e com a educação. Foi por ele, muito antes de eu entender o que era um clube, que o Operário entrou na minha vida. O primeiro estádio que pisei foi o de Vila Oficinas. Foi ali que aprendi que pertencer a um time é, antes de tudo, pertencer a um lugar e a uma memória compartilhada.

Este estudo nasce daí. Não da vontade de corrigir a história do Operário, que pertence aos torcedores, às famílias e a quem esteve lá em cada década, mas do desejo de retribuir, com o que sei fazer, o que a cidade e o clube me deram antes mesmo que eu soubesse pedir. É um trabalho feito com afeto e com a consciência de que uma marca só faz sentido quando reconhece a quem serve.

Se algo aqui soar familiar a quem também é de Ponta Grossa, ou a quem viveu a Vila Oficinas em qualquer época, o estudo terá cumprido seu propósito.

Nota do autor · neto e filho de Ponta Grossa

Sebastião Nascimento Filho entre atletas do Regente Feijó em evento esportivo colegial, meados dos anos 1970
Fig. 05 · Sebastião Nascimento FilhoRegente Feijó · c. 1970

Meu avô, minha inspiração, entre os atletas do Regente Feijó em evento esportivo colegial, meados dos anos 1970. Foto: acervo pessoal.

12Nota de rigor

O que é fato,
o que é escolha deste estudo,
o que é interpretação.

Esta seção existe por respeito à história do Operário e a quem a construiu. Fatos são documentais e pertencem ao clube. Escolhas são as deste estudo, apresentadas com humildade. Interpretações são leituras possíveis, oferecidas como convite, nunca como conclusão.

Fatos

  • 01Fundação em 01 · 05 · 1912, na Vila Oficinas, Ponta Grossa.
  • 02Sigla contínua desde 1941 (OFEC), antecedentes OFC (1914) e OSC (1926).
  • 03Cores oficiais preto e branco adotadas desde a fundação.
  • 04Narrativa de abertura registrada no manual vigente: clube que, cedo, reuniu trabalhadores de diferentes origens em suas fileiras.
  • 05Apelido Fantasma associado ao vapor da locomotiva.
  • 06Quatro estrelas nacionais/estaduais: Paranaense 2015, Série D 2017, Série C 2018, Paranaense 2025.

Escolhas deste estudo

  • 01Concentrar o símbolo no monograma da sigla, deixando bola, faixa diagonal e listras para outras aplicações do sistema.
  • 02Manter as listras verticais vivas na camisa, preservando a herança alvinegra no uniforme.
  • 03Traduzir as demais camadas (trilho, oficina, locomotiva, estrada) em texto e em outros suportes, e não dentro do símbolo.
  • 04Colocar 1912 como pequena inscrição na abertura do C, presente, sem dominar.

Interpretações

  • 01A leitura do círculo como caixa de fumaça é uma extensão possível do que o manual vigente já sugere ao falar do anel do escudo atual.
  • 02O Fantasma como presença construída no vazio entre as letras é uma leitura afetiva, oferecida como convite.
  • 03As faixas verticais lidas como parte da própria estrutura do símbolo são uma proposta de leitura, não a única possível.
Camisa OFEC número 9 em estudo de herança e pertencimento diante do brasão de Ponta Grossa
Fig. 06 · HeritagePonta Grossa · Paraná

A camisa diante da cidade: leitura afetiva do pertencimento.

Encerramento

OFEC

Herança vestida.
Futuro no peito.

1912 → ∞